Empresa criada há quatro meses vence concurso público milionário
Uma recente investigação jornalística revelou que a empresa “Future Technology of Mozambique”, constituída em 8 de abril de 2025, foi a vencedora de um concurso público avaliado em cerca de 130 milhões de meticais.
O contrato, lançado pelo Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM) — instituição subordinada ao Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas —, prevê o desenvolvimento e operação de uma plataforma digital destinada à modernização das cadeias de valor do algodão e das oleaginosas.
No entanto, o que chama a atenção é o curto tempo de existência da empresa, criada apenas quatro meses antes da adjudicação. Esse fato tem levantado suspeitas sobre possíveis irregularidades no processo de contratação, especialmente no que diz respeito à transparência e competitividade.
Segundo fontes próximas ao processo, há indícios de favorecimento e influência política na seleção da empresa vencedora. O caso reacende o debate sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de fiscalização e auditoria pública em Moçambique, para evitar que concursos milionários beneficiem empresas sem histórico comprovado de competência técnica.
Enquanto o Ministério da Agricultura ainda não se pronunciou oficialmente, organizações da sociedade civil e observatórios anticorrupção já exigem transparência total sobre o concurso e a publicação dos critérios de seleção utilizados pelo IAOM.
A situação expõe mais uma vez os desafios na gestão de contratos públicos em Moçambique, e reforça o apelo para que os órgãos fiscalizadores ajam com rigor, garantindo que recursos públicos sejam aplicados de forma justa e eficiente.
O caso da Future Technology of Mozambique levanta sérias dúvidas sobre a transparência nos concursos públicos e exige respostas claras do governo. A sociedade espera por investigações independentes que tragam à luz toda a verdade por trás deste negócio milionário.
