Organização Mulheres Resilientes (OMR) lidera manifestação até à Assembleia da República para exigir o fim da violência e do feminicídio no norte do país
O Grito de Quem Não Se Cala: A Marcha pela Vida
As ruas de Maputo transformaram-se, na manhã de hoje, num cenário de resistência e solidariedade. A Marcha Solidária por Cabo Delgado, organizada pela Organização Mulheres Resilientes (OMR), mobilizou dezenas de vozes para exigir o que é básico, mas tem sido negado: paz, justiça e responsabilização pela crise humanitária no norte de Moçambique.
O Percurso da Indignação
A caminhada iniciou-se às 08h00 na histórica Praça da OMM. O percurso, carregado de simbolismo, seguiu pelas avenidas Vladimir Lenine e 24 de Julho, culminando na Assembleia da República.
A escolha do destino não foi por acaso; é ali, na "Casa do Povo", que as manifestantes esperam encontrar respostas políticas e compromissos efectivos do Estado moçambicano.
Mais do que Protesto, um Manifesto de Dor e Esperança
Esta iniciativa transcende a ideia de uma simples caminhada. É um manifesto colectivo. Entre passos firmes e o peso da memória, cartazes erguiam-se como escudos contra o esquecimento.
A defensora dos direitos humanos, Milda Langa, trazia consigo uma mensagem que resume a urgência do momento:
“LUTA CONTRA O FEMINICÍDIO. JUNTAS SOMOS MAIS UNIDAS. STOP GUERRA.”
O Impacto Invisível da Guerra
As mensagens exibidas pelas mulheres destacavam as feridas profundas causadas pelo conflito:
- Violência Baseada no Género: O corpo da mulher como campo de guerra.
- Deslocamento Forçado: Famílias inteiras sem tecto e sem raízes.
- Insegurança Alimentar e Social: O colapso do quotidiano em Cabo Delgado.
O Silêncio não é Opção
Quando as mulheres marcham, elas carregam consigo as vozes daquelas que foram silenciadas pela violência ou pelo medo. A marcha de hoje é um lembrete às autoridades de que Cabo Delgado não é uma estatística, mas sim uma urgência nacional.
A paz não pode continuar a ser uma promessa distante. O grito que ecoou hoje em Maputo é claro: as mulheres exigem respostas, e o país exige dignidade.
