Por que a City Link é punida imediatamente após tragédia na Manhiça, enquanto a Nagi Investimentos opera livremente apesar do histórico de acidentes?
A recente suspensão da transportadora City Link após um trágico acidente levantou um debate aceso sobre a coerência da justiça e da regulação em Moçambique. Enquanto uma empresa é punida com celeridade, outra gigante do setor, a Nagi Investimentos, parece operar sob uma redoma de impunidade, apesar de um histórico alarmante.
Será que estamos diante de um caso clássico de "dois pesos, duas medidas"?
A Tragédia da City Link e a Resposta Imediata
No último domingo, a Estrada Nacional Número 1 (EN1), no distrito da Manhiça, foi palco de mais uma tragédia rodoviária. Um autocarro da City Link esteve envolvido num acidente que resultou na morte de sete pessoas.
A reação do Governo foi rápida. O Ministro dos Transportes e Comunicações, João Matlombe, anunciou a suspensão total das atividades da empresa, citando falhas graves de segurança e responsabilidade operacional. A decisão foi aplaudida como um gesto de "tolerância zero" contra a sinistralidade rodoviária.
Contudo, para muitos observadores atentos, esta firmeza expôs uma incoerência institucional gritante quando comparada ao tratamento dado a outras operadoras.
O Caso Nagi Investimentos: Um Histórico Ignorado?
Enquanto a City Link enfrenta as portas fechadas, a Nagi Investimentos continua a operar rotas lucrativas como Maputo–Nampula e Maputo–Tete, sem restrições públicas visíveis. Isto acontece apesar de um portfólio de denúncias e condenações que rivaliza, ou supera, o de muitas concorrentes suspensas.
1. Condenações Judiciais e Vítimas
Em 2022, a Nagi foi condenada judicialmente a pagar 7 milhões de meticais de indemnização após um acidente que deixou dois passageiros mutilados. Relatos de sinistros fatais envolvendo a frota da empresa são recorrentes na imprensa e redes sociais.
2. Condições Desumanas
As queixas dos passageiros vão além dos acidentes
Saúde em risco: Relatos de desmaios e tromboses devido a viagens excessivamente longas sem paragens adequadas.
Higiene: Denúncias frequentes de percevejos nos assentos.
Segurança mecânica: Paragens improvisadas em zonas remotas para "arrefecer o motor" e avarias constantes.
3. Incidentes Políticos
Em 2023, durante os protestos pós-eleitorais, dois autocarros da Nagi foram incendiados. Curiosamente, a interrupção das operações partiu da própria empresa por questões de segurança, e não por uma ordem governamental de fiscalização.
Por que a Nagi Nunca é Sancionada?
A disparidade no tratamento levanta questões que o Ministério dos Transportes precisa esclarecer com urgência:
- Existem interesses políticos ou económicos que blindam a Nagi Investimentos contra sanções?
- Os critérios de fiscalização mudamdependendo de quem é o dono da frota?
- Onde está a coerência regulatória prometida pelo Estado?
"A suspensão da City Link pode ser justificável, mas a ausência de medidas contra a Nagi Investimentos expõe uma possível incoerência institucional. Quando a justiça é seletiva, a confiança pública nas autoridades fica comprometida."
O Que Está em Jogo
Não se trata apenas de defender uma empresa ou atacar outra. O que está em causa é a vida dos passageiros e a credibilidade das instituições moçambicanas.
Se a "mão pesada" da lei serve para punir a City Link, ela deve ter o mesmo peso para a Nagi Investimentos ou qualquer outra transportadora que viole as normas de segurança. Caso contrário, a segurança rodoviária em Moçambique continuará a ser uma miragem, ofuscada pela conveniência política.
E você, caro leitor?
Já viajou com alguma destas companhias? Sente-se seguro nas estradas de Moçambique? Deixe a sua opinião nos comentários abaixo.
